quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Alguém atrás da porta


Por tantas vezes eu dormi aquecida e acordei com o frio. Por tantas vezes eu caminhei com pés descalços à procura de sandálias que coubessem - lhes. Por tantas vezes vaguei pelo vale das sombras a procura de, apenas, um feixe de luz que fizesse - me acreditar que ainda havia esperança e que aquele não era o fim. Por tantas vezes assisti filmes de romance e ao final da maioria deles eu me convencia de que havia alguém, ali, atrás da porta esperando...
Alguém que houvesse passado a noite na chuva e no frio por uma pequena briga de casal, por um ciúme bobo, ou até mesmo por um medo infantil meu. Alguém que provocasse ao ponto de me deixar doente de raiva e em seguida me convencesse com beijos a ficar mais calma. Alguém que me visse acordando de cabelo em pé, sem maquiagem e sem escovar os dentes e, ainda sim, dissesse: você é linda! Alguém que me olhasse enquanto eu estivesse dormindo. Alguém que quisesse gritar ao mundo que eu era dele, única e exclusivamente.
É, agora eu não tenho mais que fingir, porque eu tenho você.

domingo, 26 de setembro de 2010

A ultima carta

Certas coisas são tão difíceis de admitir em formas de palavras audíveis que, as vezes, prefiro escrever, mesmo que em grande parte não as leia. Sabe aquela frase: " A vida é uma caixa de surpresas" ? Pois é, eu devia ter acreditado nela mais cedo, bem mais cedo...

Não sei nem por onde começar e nem onde quero, ou vou chegar. Talvez, só esteja tentando explicar através dessas singelas e concretas letras o sentimento mais abstrato que uma pessoa pode ter. E mesmo sendo tão clichê dizer isso, posso afirmar que não existem palavras no mundo que consigam realizar tal tentativa. Eu poderia fazer citações dos mais famosos poetas, até mesmo poderia usar a complexidade incoerente dos mais sábios cientistas. Poderia compor uma música e fazê-la tocar no seu rádio, e ela teria seu nome. Poderia criar frases de efeito e colocá-las em um outdoor em frente a sua casa. Poderia fazer o impossível para mostrar lhe o quão grande e isano é o meu amor, e tenho certeza que conseguiria. Porém, ao contrário de tudo, não irei fazer nada. Não pense que por falta de coragem, isso não me falta, porque para realizar minhas próximas ações estarei tendo o maior ato de bravura e compreensão que qualquer herói pode ter. Mas quem sou eu para falar de heroísmo, não é? Eu que sempre aguardei as atitudes de um "príncipe".

Sempre acreditei que o destino trataria de arrumar as coisas e deixar lado a lado as pessoas que merecem ficar juntas, porém finalmente percebi que essa era a desculpa que eu dava a mim mesma para não encarar a verdade e fazer as coisas que haveriam de ser feitas.

Levei tanto tempo... precisei fazer perguntas cujas respostas eu não queria ouvir, pois eu sabia quais seriam elas. Precisei passar noites em claro e dias sem luz para chegar a minha conclusão. E bom, quando me contou sobre as novidades... eu não pude evitar a dor. Era maior do que um dia eu poderia pensar em sentir e bem acima do que eu podia suportar.

Sinto muito, fraquejei e sucumbi. Não sou e nunca fui tão forte como um dia imaginei e te fiz acreditar. Meu coração a cada segundo desacelera mais e as lágrimas são inevitáveis. Lembra quando eu disse que estaria aqui pra sempre sentada o esperando? É, eu menti. Minhas forças se esgotaram, e no momento só posso contar com a coragem para dizer: Siga em frente sem olhar para trás, porque ambos sabemos que nosso tempo passou e que nem todo amor que houver nessa vida seria capaz de apagar as feridas que ficaram. Seja feliz por mim, crie a criança que está por vir sem tentar imaginar que um dia poderia ter sido diferente. E sabe a caixa de surpresas? Eu espero que ela tenha guardado alguma coisa boa pra mim e que, sabe, haja um outro "príncipe" dentro dela. De qualquer forma, eu continuo, aqui, esperando como sempre. Só que dessa vez por um fim menos doloroso ao em vez de seu regresso.

Ps: Desculpe o papel molhado. Mas, as lágrimas foram insistentes.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Não importa

Dizem que a esperança é a ultima que morre. Eu discordo. A minha está sepultada há tempos. O amor, sim, esse não morre independente de qualquer atitude, circunstância, razão. Não importa quantos venham depois ou quantos vieram antes nada modifica nada desestabiliza. Não importa a quantidade de noites em claro, ou de sonhos inenarráveis. Não importa quantas lágrimas já foram derramadas, quantas feridas já foram abertas a ponta de faca, não importam as cicatrizes, a dor. Nem mesmo o tempo que já me faz de prisioneira. Nada além importa se for por ti. Tudo passa a fazer sentido quando te sinto presente em mim e nos meus dias.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ainda a sua espera


Viver com intensidade sempre foi meu lema, nunca me importei com o tamanho da queda e sim com o tempo que demoraria a chegar ao solo. Esse tempo, de fato, sempre foi mais proveitoso pra mim já que, de alguma maneira, eu sabia que o chão era a única certeza das minhas aventuras. Porém, sempre chega o tempo em que se atirar de cabeça em precipícios sentimentais se torna cansativo e mais doloroso do que de costume.
E esta é a hora mais temida, o coração não se satisfaz mais com paixões passageiras, borboletas momentâneas na barriga, pequenas acelerações cardíacas, amores noturnos e manhãs solitárias. Meu coração pede mais que pequenos sentimentos, necessita de arrepios na pele só por ouvir teu nome, faltas de ar após cada frase sua, lágrimas de emoção por saber que sou correspondida ou até mesmo de tristeza por perceber que não sou.
Tudo que eu preciso é poder sentir, novamente, que estou viva. Já não me basta mais sentir o vento soprar o meu rosto enquanto imagino que seja seu toque, não é mais suficiente ter, somente, a solidão como companhia. Todas as partes em que vou tem um pedaço de ti. Às vezes chego a pensar que o pedaço que encontro nos lugares, na verdade, está em mim e que, talvez, por isso eu jamais tenha conseguido te esquecer como havia lhe prometido.
Sem ti, tenho vivido de memórias, fotografias, músicas tudo que me lembre que um dia eu já me senti completa ao invés de despedaçada. Ocupo meus dias planejando algum jeito de te fazer voltar, mas tudo parece - me em vão. Se eu dissesse que desde que você saiu porta afora não acredito mais em luz ao fim do túnel eu estaria fazendo um eufemismo, de forma que o meu túnel deveria ser chamado de caverna pois está fechado, não há saída do outro lado.
Espero que esta jornada por esta caverna com algumas velas que não duram mais que uma noite e que iluminam menos da metade da escuridão que aqui habita não esteja sendo uma perda de tempo para quem vos é dedicada esta carta. Tenho esperança que os caminhos que tenhas percorrido sejam mais iluminados e mais calorosos que os meus e que esses mesmos caminhos um dia tragam - lhe de volta ao lugar que eu desejava que você nunca tivesse saído. E nós sabemos que eu estarei aqui, ainda a sua espera.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mãe


Durante a noite, quando eu acordava assustada você sempre esteve lá com aquele sorriso tranqüilizador me dizendo que não havia nenhum monstro em baixo da cama nem dentro do armário. Segurava minha mão, afagava meus cabelos e tornava a falar: “fica calma, a mamãe está aqui”. Ensinou-me a escovar os dentes e a enfrentar de cabeça erguida os obstáculos que a vida tem a me oferecer, a amarrar os sapatos, me ajudou com as lições de casa... É menininhas precisam de coisas como essas.
Hoje você me acalma nas noites em que não consigo dormir com medo do futuro, medo da incerteza do amanhã. E mesmo com o passar dos anos eu sei que depois de contar meus medos virá àquela singela e reconfortante frase “ “fica calma, a mamãe está aqui”. É, Mãe, a senhora está e sempre estará aqui não importa o que aconteça, e eu sei que você sempre será meus olhos quando eu não conseguir enxergar, na escuridão será a minha luz, e na vida será meu exemplo! Porém, Mãe, há sempre um dia em que a borboleta tem que sair do casulo, ela sai sem saber como ela ficou e com dificuldade de voar, mas com as lições que senhora me deu, não me resta dúvidas de que a borboleta saberá como voar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O pássaro e o gafanhoto

Pela primeira vez em sete anos, eu parei para analisar toda a minha trajetória nessa “história de amor”, ou de dor, que é como eu prefiro descrevê-la neste momento. Estar ao seu lado sempre foi meu grande sonho, e eu jamais mediria esforços para estar com você; Ser a dona do seu sorriso era uma utopia; preferia a morte ao ter que te ver triste, e se eu pudesse fazer algo que lhe pusesse um sorriso nos lábios, eu o faria. Fiz-me de escudo quando precisou, acolhi todo rancor que assolava seu coração, fui bondosa e compreensiva com todos os seus problemas; Acreditava em tudo o que me dizia; Fiz, literalmente, das tripas coração por ti.
E, agora ao olhar para trás, vejo que o único sentimento que eu posso ter é pena de mim. Que me desgastei de todas as formas possíveis e imagináveis. Nunca nada era suficiente ou merecedor de estar ao seu lado. Sentia – me como uma formiga perto de um gafanhoto, uma formiga bem sonhadora, por sinal, que almejava acordada que esse amor fosse possível. E sabe o que é mais constrangedor citar? Ele sempre foi possível, mas nunca foi querido por ti.
Sempre houveram pessoas tentando me mostrar a realidade, mas não há muito o que fazer quando não se quer enxergar. A única coisa que, de fato, me faria perceber era o tempo. E graças a Deus, ele passou. Fazendo – me perceber que eu nunca fui uma formiga. Eu sempre fui um pássaro! Um pássaro que nunca havia aprendido a voar, um pássaro que nunca tinha saído do ninho. E você, sim, era um gafanhoto preso em sua miudeza.
E cá entre nós, o gafanhoto nunca será capaz de acompanhar o vôo de um pássaro. E quando se aprende a voar e os olhos encantam-se com o brilho do sol, é difícil voltar ao solo sem assustar os insetos, pois agora eles sabem que tenho o conhecimento da minha própria força.

sábado, 17 de abril de 2010

A carta que jamais foi entregue


Bom, resolvi escrever essa carta pra dizer como foram os últimos meses depois que você foi embora. Queria poder dizer que foi fácil te esquecer, que estou bem e que nunca precisei de você pra ser feliz. Mas, infelizmente, minhas notícias não são tão boas quanto eu gostaria.
Sinto informar, mas é cada vez mais difícil pensar em você e não poder te ligar; É terrível acordar e perceber que tudo aquilo era só mais um sonho e que você, de fato, não está mais aqui. Parece que cada vez que tocam no seu nome se abre um buraco no meu peito que por mais que eu tente, não consigo achar a peça que possa ocupar o seu espaço.
E mesmo sabendo que você está muito melhor sem mim, eu ainda sim, faria de tudo para poder te ter mais uma vez por perto. Só pra poder sentir seu abraço, seu calor e poder fazer meus últimos votos que já foram ensaiados e decorados em frente ao espelho, mas que jamais conseguiram sair de palavras em uma carta que jamais foi entregue: “Eu espero que você encontre tudo o que vem procurando a vida inteira e quando essa busca se encerrar, que você tenha sonhos maiores para que nunca seja uma pessoa desmotivada; Espero que cada vez que uma porta se fechar na sua vida, que se abra uma janela; E caso um dia se sinta sozinho, lembre-se de mim, que estarei sempre aqui por você, que farei de tudo pra te alegrar, que rezarei por você todas as noites, que não te esquecerei nem um segundinho, que não deixararei de te amar enquanto existir vida. E no dia em que só me restará a morte, serei seu anjo”.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fatos


Encarar os fatos é fundamental, pena que eu jamais tive coragem de realizar esse feito. Mas, infelizmente, chega uma hora que por mais que você tente ignorá-los você não consegue. E as verdades se concretizam em forma de tapas na cara para tentar lhe fazer enxergar que tudo o que você idealizou durante sua vida é, apenas, uma ilusão. O anel que você sonhou acordada durante anos? Nunca estará em seu dedo, porque nele habita o dedo de outra. A música que você sonhou ouvi-lo cantando ao pé do seu ouvido? Você jamais ouvirá, pois ela é cantada para ela neste momento. Aquele famoso “eu te amo” ? Não é pra você, nunca foi, e quando ele o dizia estava pensando nela. O ”eu aceito”? Será dito e não será você a noiva.Por fim, você sabe que é a hora de abandonar todas as ilusões, fazer as malas e sair em busca de verdadeiros sonhos, um verdadeiro romance e abandonar o ilusório que vem escrevendo há anos. Só abandonar, não rasgá-lo ou apagá-lo , pois no dia em que eu tiver que olhar pra trás, eu saberei que hoje sou mais forte por causa dos tapas que um dia eu tomei.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pacotes


É preciso assumir, sinto falta de você e do seu enorme pacote de defeitos que vinha de brinde, recheado com: ciumes excessivo, brigas por motivos banais e uma teimosia absurda. Porém, não posso deixar de citar dentre as coisas que sinto mais falta o seu pacote de qualidades que parecia ser infindável; seu sorriso, suas palavras, o jeito como passava a mão no cabelo quando ficava com vergonha, seu apoio, o seu sotaque caipira que deveria ser posto na lista de defeitos, mas que com o passar do tempo se tornou uma característica marcante. Aliás tudo em você após o nosso afastamento se tornou um atributo. Os pacotes de brinde começaram a se fundir diante dos meus olhos e isso não é uma coisa que eu consiga reverter. É como a metamorfose de uma borboleta. Depois que ela entra no casulo não há mais volta só lhe resta sentar e esperar para assistir o futuro voô fascinante. Todos os seus suspostos defeitos vem um por um se tornando qualidade pelo simples fato da saudade, que não me deixa sentir raiva nem um segundinho se quer de ti. E o que dói mais nessa saudade é saber que eu não posso voltar ao passado para consertar as besteiras que eu fiz que acarretaram nesse enorme erro que sou incapaz de corrigir. E eu passo dia após dia pensando em como eu poderia me reaproxima de você, ou então como eu poderia te dizer isso tudo, E o resultado ? Eu sou covarde o suficiente pra nao me decidir e acabar escrevendo aqui que é longe seus olhos e o suficientemente perto do meu coração. Mais uma vez eu prefiro essa paz ilusória do que iniciar uma enorme guerra onde as balas e as bombas só acertariam e magoariam a mim.